O Retorno do Poeta
Ó Deus, o que te fiz? Tu, companheiro
De estrada, nesta senda tão difusa,
Quando, em noite de insônia, só a Musa
E tu, soneto, aravam meu canteiro,
E me traziam versos com um cheiro
De rima nos botões da flor reclusa
Nessas quatorze grades que, confusa,
Cria estar livre desse cativeiro,
Mas, só por ti, soneto, estou de volta
A esse canteiro louco dos mil versos
Que, por um tempo, quis dar meia-volta.
De peito aberto torno ao universo,
Qual filho pródigo que enfim se volta,
Às livres grades onde nascem versos.
Sonya Azevedo

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