"E quando silencio, teu amor me nina na canção das estrelas" (Sonya Azevedo)

 

03/11/2026

O Retorno do Poeta


O Retorno do Poeta

Ó Deus, o que te fiz? Tu, companheiro
De estrada, nesta senda tão difusa,
Quando, em noite de insônia, só a Musa
E tu, soneto, aravam meu canteiro,

E me traziam versos com um cheiro
De rima nos botões da flor reclusa
Nessas quatorze grades que, confusa,
Cria estar livre desse cativeiro,

Mas, só por ti, soneto, estou de volta
A esse canteiro louco dos mil versos
Que, por um tempo, quis dar meia-volta.

De peito aberto torno ao universo,
Qual filho pródigo que enfim se volta,
Às livres grades onde nascem versos.

Sonya Azevedo

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