"E quando silencio, teu amor me nina na canção das estrelas" (Sonya Azevedo)

 

domingo, 19 de abril de 2026

Mudez do Adeus


Mudez do Adeus

O falar jaz tão carente
Quando um adeus fecha a porta.
Cresce um falto conivente
Com o pranto que não conforta.
É a dor da insensatez,
Quando o peito diz talvez.
O amor já não mais importa...
E a saudade é inclemente.
O falar jaz tão carente,
Quando um adeus fecha a porta.

Sonya Azevedo

domingo, 22 de março de 2026

Adeus, Soneto



Hoje, eu decidi, mesmo com tristeza,
Que após este convívio duradouro,
Depois de ver-te reluzir qual ouro,
Irei pegar carona na incerteza,

Descer o novo rio na correnteza,
Viver as novidades qual calouro,
Colher os versos em seu nascedouro,
Fazer poema usando a sutileza.

Ah, deixarei contigo o teu rigor,
Certa que a decisão causar-me-á dor,
Mas, seguirei a senda inda serena.

Assim, eu fujo dessa insensatez
Que tu me impões, e, como a prima vez,
Irei mimar os versos com mi' a pena.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Viver


 Viver

Hoje a vida apresentou-se-me calma!
U'a paz interior que não tem preço!
Um céu azul, fulgor do sol, apreço
Da Natureza a expor privança d'alma.

Uma ave ao longe, seu cantar que ensalma
Os arcanos da vida e, sem defesso,
Acho-me no silêncio e, assim, floresço
Em gratidão ao Criador e à mi' alma.

E nesse instante breve e tão profundo,
Vejo o tempo abrandar o passo e, manso,
Mostrar-me quão perfeito é esse universo.

Enfim, isso é viver: cheiro de mundo
Onde colo de estrelas é remanso
E o luar, em louvor, escreve versos.

Sonya Azevedo