"E quando silencio, teu amor me nina na canção das estrelas" (Sonya Azevedo)

 

domingo, 22 de março de 2026

Adeus, Soneto



Hoje, eu decidi, mesmo com tristeza,
Que após este convívio duradouro,
Depois de ver-te reluzir qual ouro,
Irei pegar carona na incerteza,

Descer o novo rio na correnteza,
Viver as novidades qual calouro,
Colher os versos em seu nascedouro,
Fazer poema usando a sutileza.

Ah, deixarei contigo o teu rigor,
Certa que a decisão causar-me-á dor,
Mas, seguirei a senda inda serena.

Assim, eu fujo dessa insensatez
Que tu me impões, e, como a prima vez,
Irei mimar os versos com mi' a pena.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Viver


 Viver

Hoje a vida apresentou-se-me calma!
U'a paz interior que não tem preço!
Um céu azul, fulgor do sol, apreço
Da Natureza a expor privança d'alma.

Uma ave ao longe, seu cantar que ensalma
Os arcanos da vida e, sem defesso,
Acho-me no silêncio e, assim, floresço
Em gratidão ao Criador e à mi' alma.

E nesse instante breve e tão profundo,
Vejo o tempo abrandar o passo e, manso,
Mostrar-me quão perfeito é esse universo.

Enfim, isso é viver: cheiro de mundo
Onde colo de estrelas é remanso
E o luar, em louvor, escreve versos.

Sonya Azevedo

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Poema

Poema

Escuta o que te falo: é um poema!
Cria das profundezas da alma pura
Que extrai da vida toda sua ternura
Qual pétalas macias da alfazema.

Ouve sentindo, unindo fonemas,
Tirando das palavras a amargura, 
Colorindo a oração co' arte e doçura
E os versos em formato de diadema.

E, assim, sente este canto sem lamento,
Sem sobra vã, sem lágrima exaltada,
Cria de um amor no sol do firmamento.

Ouve o murmúrio da alma enamorada,
Qual solfejo sutil no vago intento,
Em que eu revejo tua face amada.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Exílio


 Exílio

Na beira dessas mais de mil lembranças.
Sento-me. Areias tão molhadas... pranto
Desta alma que ora dista de seu canto,
Canto da terra que o olhar não alcança!

Poder que essa saudade tem: brisança!
Dos cacos da memória faço um manto
Sagrado, abrigo em lúgubre acalanto,
Onde o seio na dor, apenas dança.

Ah, exílio! Dor no cheiro desse mar
Que entranha na alma e a tudo anestesia...
Cheiro de uma saudade! Tanto amor

No chão da pátria, terra no além mar, 
Que hoje reverencio em poesia,
Para abrandar toda esta minha dor!

(Sonya Azevedo)