Ó tu, poeta, amigo e confidente,
De súbito partiste a outros instintos,
Por desertos de sal e ermos recintos,
Deixando em mim um vácuo permanente.
Perdido, errante, alheio, divergente
Das linhas petrarquistas que pressinto
Num vão querer brilhar, ver-me distinto
Do estilo nobre e antigo, tão presente.
Hoje há silêncio: a métrica imperfeita.
Teu aroma se perdeu qual flor sem forma,
E eu, sombra vã, na rima liquefeita.
Meus versos jazem secos, sem colheita
Dessa mão caridosa que transforma
A sombra em flor dourada, ora os enjeita.

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