"E quando silencio, teu amor me nina na canção das estrelas" (Sonya Azevedo)

 

sábado, 6 de junho de 2026

Jardins da Ausência


Jardins da Ausência
 
Mote: 
Fanatismo - Florbela Espanca

Minh' alma de sonhar-te, anda perdida!
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver,
Pois que tu é já toda a minha vida!


Jardins da Ausência
Sonya Azevedo & Florbela Espanca

Vago nas noites... sou alma despida!
E ao contar das estrelas, mil lembranças
Afloram n' alma. Ah, são flores bandidas,
Nesse jardim cultor das esperanças.
Meus sonhos jazem em terra batida,
Enquanto em mim a dor vem por herança.
Minh' alma de sonhar-te, anda perdida!
 
O breu da noite, em árdua e vil tardança,
Embaça os olhos com pranto e querer,
Pois que, ao silêncio, quer sua esquivança,
Já que ele traz espinhos, faz fender
Retinas de um passado que, em bonança,
Trazia-me o sabor do teu querer.
Meus olhos andam cegos de te ver!
 
Fizeste da minha alma tua estança
E nela entraste sem a merecer.
Em meus sentires criaste hospedança
Sem, contudo, fazê-los florescer.
Ao meu jardim trouxeste a vil parança
E a flor do amor, deixaste perecer...
Não és sequer razão do meu viver!
 
A lua, seus cabelos já destrança
E, envolta em seda, faz-se bem vestida.
Há pingos sobre o mar, é a mudança
A florescer-te em mim, que distraída,
Aduba o amor e toda uma esperança
De ter-te junto a mim pré-concebida,
Pois que tu és já toda a minha vida

Sonya Azevedo

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