Exílio
Na beira dessas mais de mil lembranças.
Sento-me. Areias tão molhadas... pranto
Desta alma que ora dista de seu canto,
Canto da terra que o olhar não alcança!
Poder que essa saudade tem: brisança!
Dos cacos da memória faço um manto
Sagrado, abrigo em lúgubre acalanto,
Onde o seio na dor, apenas dança.
Ah, exílio! Dor no cheiro desse mar
Que entranha na alma e a tudo anestesia...
Cheiro de uma saudade! Tanto amor
No chão da pátria, terra no além mar,
Que hoje reverencio em poesia,
Para abrandar toda esta minha dor!
(Sonya Azevedo)
