"E quando silencio, teu amor me nina na canção das estrelas" (Sonya Azevedo)

 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Viver


 Viver

Hoje a vida apresentou-se-me calma!
U'a paz interior que não tem preço!
Um céu azul, fulgor do sol, apreço
Da Natureza a expor privança d'alma.

Uma ave ao longe, seu cantar que ensalma
Os arcanos da vida e, sem defesso,
Acho-me no silêncio e, assim, floresço
Em gratidão ao Criador e à mi' alma.

E nesse instante breve e tão profundo,
Vejo o tempo abrandar o passo e, manso,
Mostrar-me quão perfeito é esse universo.

Enfim, isso é viver: cheiro de mundo
Onde colo de estrelas é remanso
E o luar, em louvor, escreve versos.

Sonya Azevedo


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Poema

Poema

Escuta o que te falo: é um poema!
Cria das profundezas da alma pura
Que extrai da vida toda sua ternura
Qual pétalas macias da alfazema.

Ouve sentindo, unindo fonemas,
Tirando das palavras a amargura, 
Colorindo a oração co' arte e doçura
E os versos em formato de diadema.

E, assim, sente este canto sem lamento,
Sem sobra vã, sem lágrima exaltada,
Cria de um amor no sol do firmamento.

Ouve o murmúrio da alma enamorada,
Qual solfejo sutil no vago intento,
Em que eu revejo tua face amada.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Exílio


 Exílio

Na beira dessas mais de mil lembranças.
Sento-me. Areias tão molhadas... pranto
Desta alma que ora dista de seu canto,
Canto da terra que o olhar não alcança!

Poder que essa saudade tem: brisança!
Dos cacos da memória faço um manto
Sagrado, abrigo em lúgubre acalanto,
Onde o seio na dor, apenas dança.

Ah, exílio! Dor no cheiro desse mar
Que entranha na alma e a tudo anestesia...
Cheiro de uma saudade! Tanto amor

No chão da pátria, terra no além mar, 
Que hoje reverencio em poesia,
Para abrandar toda esta minha dor!

(Sonya Azevedo)